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Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Carmina Burana - Carl Orff



Hoje, resolvi não colocar um vídeo de blues, conforme a tradição dos que me conhecem . Vou prestigiar as cantatas medievais de Carl Orff, com Carmina Burana. Sou um cara eclético e saio do blues rumo à música dita erudita, com a mesma tranquilidade. Não vejo contradição alguma nisto. Meu gosto musical não está aqui em julgamento e mesmo que estivesse, minha resposta aos preconceituosos de plantão de ambos os lados, seria o desprezo de sempre. A liberdade é marca maior do ser humano. Ser multifacetário é o que de mais precioso temos. Adoro por exemplo música barroca em especial Bach e Vivaldi , bem como as grandes orquestras sinfônicas e corais. Como não pretendo ficar a falar de minhas preferências, dado que não tenho pachorra para tal , vamos direto ao que interessa efetivamente.

Esta é uma apresentação da primeira e mais emocionante parte de Carmina Burana. "Fortuna Imperatrix Mundi - O Fortuna". A obra completa do Carl Orff tem mais de vinte cantatas todas maravilhosas, mas este início, que se repete também ao término, é imbatível. O vídeo que terão o prazer de assistir é com o maestro André Rieu. Os mais puristas o atacam pois dizem que ele não faz música clássica na acepção da palavra. Produz shows e mistura outros gêneros ao trabalho.

Não quero saber dos puristas chatos, que só fazem distanciar a boa música da grande massa. O fato é que o maestro em questão produz trabalhos de qualidade que emocionam. O resto fica para os ditos entendidos se deliciarem em suas masturbações intelectuais que não vão a lugar algum, já com o perdão da má palavra. Cada vez que escuto isso viajo para mundos distantes e minha emoção se renova. Portanto é o que vale, pois este é objetivo último da arte. Transportem-se à tempos remotos e aproveitem todos!!





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Quinta-feira, Setembro 17, 2009

ESTADO OPRESSOR X LIBERDADE INDIVIDUAL.


Realmente tento fugir dos assuntos ditos sérios, mas cá estou novamente. Não que eu seja assim em minha vida, muito pelo contrário. A vida sem senso de humor, nada é. Mas também é imperioso frisar, que sem senso de observação, a dita cuja passa a figurar na prateleira das inventividades bizarras.

Como fazer pensar, mesmo que somente um pouco, pode e deve também ser divertido, me lanço mais uma vez nesta empreitada.

A participação do Estado em nossas vidas tem sido cada vez maior e certamente muitos de nós nem sequer se dá conta disto. O indivíduo é regulado em todos os seus afazeres e até mesmo dentro do mais íntimo da sua vida.
Estamos vivendo uma opressão velada, que reduz cada vez mais a atividade individual e com isto a responsabilidade de cada um de nós de forma única e indivizível.
Em nome do bem estar social, pagamos impostos para termos por parte deste Estado garantidor a saúde, educação, segurança, justiça e nesta esteira continuamos a caminhar. Efetivamente temos tido isto ?

O Estado existe para o bem de todos, pelo menos em teoria. Foi criado dentro dos moldes atuais, a partir da Revolução Francesa, onde o cidadão entrega uma parte de sua liberdade em prol do coletivo. O grande gestor passa a regular de maneira imparcial as situações de seus súditos. Criou-se uma máquina bem estruturada para tanto e assim também começamos nossa odisseia...(Para ler o restante do artigo clique abaixo. Para retornar de dois ou mais cliques na seta do I.E)


Não vou adentrar aqui nas várias teorias existentes ou formas de se entender a atuação deste mesmo ente abstrato. Até mesmo porque, ainda sonho em cativar aos mais preguiçosos com um texto não muito longo, mas sem sacrificar o conteúdo e qualidade. Em resumo, alguns defendem uma maior participação do grande irmão, outros pelo contrário propugnam pelo Estado mínimo, outros pelo meramente regulador e alguns tantos, caindo já para o viés anarquista, pela sua total e derradeira extinção.

O fato inconteste, é que aquele Estado, ente abstrato, idealizado por tantos pensadores, hoje não passa de uma falácia. Os sucessivos governos que se apossam da máquina administrativa em suas 3(três) esferas de poder, não tem passado, com raras exceções, de uma corja corrupta. Apropriam-se deste, mas em nome de interesses pessoais e governam com projetos de poder apenas para seus aceclas mais próximos. O mundo, não só o Brasil, vive uma crise de Estadistas. Onde o exemplo a seguir ? Mas a responsabilidade também não fica somente aí. Nós enquanto seres pensantes também temos nossa cota. Gostamos da letargia e da figura do grande pai. É preferível alguém, que nunca se sabe bem quem seria, diluído por entre as saias do poder, e a quem chamamos autoridade, faça, regule e atue por nós...

Seu eu quiser casar, preciso do Estado. Se quiser divorciar-me, necessito do Estado. Se quiser comprar o vender imóvel, necessito também dele. No Brasil a tolerância a bebida é zero, quando for dirigir. Não é tolerada nem mesmo um cálice de vinho do porto ou um copo somente de vinho ou cerveja, em função da nova lei recentemente instituída. O Estado arma as suas "blitz" e apavora a todos. Vemos em outros países um limite, é certo que mínimo, justamente para abarcar tais situações. Aqui não. O grande irmão vem com sua mão pesada e inflexível e gera distorções as mais variadas.

Sei que o assunto é complexo, como tantos outros já discutidos neste blog. Minha posição é minoritária com certeza. Mas também não quero bancar o Dom Quixote a lutar contra os moinhos de vento. Algum lucidez ainda deve me restar...

Acredito que a regulação deve existir, mas em tom menor e de maneira mais inteligente. Parece que falta aos nossos agentes públicos a devida sensibilidade para tanto.

Toda a vez que este mesmo Estado tentou gerir situação na esfera privada, se equivocou. Temos o grande exemplo no Brasil das sucessivas leis que regulavam a locação de imóveis urbanos. Era o verdadeiro caos. Brigas intermináveis entre proprietários e inquilinos, instigados por uma regulação deficiente e injusta para os dois lados. A sandice parecia imperar... Em Portugal por exemplo, onde sempre o Estado interferiu a guiza de acabar com pretensas "injustiças", o sistema ficou caótico, confuso e por incrível que pareça pouco justo. É como a situação do cobertor curto. Cobre a cabeça e deixa os pés de fora. Sem coragem nada se consegue. Mas para isto os senhores do Estado tem que sacrificar muitas vezes suas cabeças e também popularidade para resolver a longo prazo, aquilo manietado pelos próprios. Onde vemos isto acontecer com frequência ? E quando ocorre temos maturidade para entender isto ? Perguntas que deixo para serem respondidas por quem ainda tiver tido a paciência de aqui chegar na leitura.

Quando fomos brindados com a nova lei de locações, e aí já se vão quase vinte anos, e que tinha como escopo principal a gestão primordial dos contratos entre as partes, tudo seguiu seu rumo e a tranquilidade voltou ao mercado. Foi fruto de dois juristas que entendiam do riscado e não tiveram medo de ser politicamente incorretos naquele momento e não dos burocratas de plantão.

Até recentemente, quando dois indivíduos, mesmo de comum acordo, procuravam a separação, dado que a união entrou em colapso, era necessário a homologação disto por um juiz. Meus senhores, qual a necessidade de um juiz, estranho a tudo e nada envolvido com as partes, dar seu aval para um casal que quer se separar e estão de acordo em tudo acerca disto?? Atualmente a coisa abrandou e pode ser feita em cartório, o que mostra a certeza do meu argumento. Ainda não é o ideal, mas já caminhou...

Os exemplos são incontáveis e desastrosos. Tais excessos servem é certo para beneficiar alguns poucos outros. Desta feita, não podemos nos arredar do velho jargão " tudo parece ser interesse econômico". Onde reside a nobreza do melhor e mais proveitoso ? Fica a pergunta no ar.

Não quero um Estado sempre ou na maioria das vezes incompetente, pois materializado por governos desta estirpe, a dizer o que devo ou não fazer e até mesmo acreditar. A minha minha privada, diz exclusivamente a mim e a ninguém mais. Que me perdoem os puritanos ou dementes, mas é assim que deve ser. No regime presidencialista isto parece ser pior, nomeadamente em países com instituições democráticas débeis, pois o senhor de tudo passa a ser o mandante também das vidas particulares de cada um. A América Latina foi pródiga de caudilhos e o mundo dito desenvolvido também não foi poupado de seus ditadores sanguinários com instintos maquiavélicos.

Senhores leitores, sejamos mais espertos, prudentes e insubordinados nas idéias. Cobremos mais poderes individuais, pagando o preço desta ousadia , bem como menos gestão das vidas particulares por quem não tem galardão para tanto e para o qual não passamos poder algum, dado que o sistema representativo aqui, neste país principalmente, já foi a bancarrota faz tempo.












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Terça-feira, Setembro 08, 2009

O PAPEL DA IMPRENSA (PEQUENA NOTA).


De forma quase que impreterível, quando sento diante do computador e dou início a mais um artigo neste blog, é porque o tema analisado já vem pedindo para ser expurgado, faz algum tempo. Como não retruco quando um sentimento bate à minha porta, vindo do meu mais profundo grotão, solto-os, livres neste espaço. Oxalá, alguém que também prime pelo crítico, tenha a paciência de comungar comigo, desse meu pecado que não pretendo corrigir e muito menos penitenciar, que é pensar além do que tentam me vender.


Desta feita, vou abordar hoje, o papel da imprensa na divulgação de notícias. Não pretendo ser profundo ou técnico em demasia, embora o assunto o reclame, pois caso contrário faço dormir aos leitores mais chegados à uma preguiça. No entanto, também não sacrifico o essencial em nome da popularidade ou interesses menos nobres, como presenciamos, infelizmente, por parte daqueles que se julgam hoje, uma espécie de quarto poder.

Como não posso deixar de assinalar, sou admirador e fã incondicional do jornalismo sério, seja de que vertente for. Além da informação, nos prestam auxílio, muitas das vezes, na manutenção de um Estado Democrático de Direito. Com todas as suas idiosincrasias e mazelas, deve primar sempre pelo livre exercício e auto aprimoramento, sem interferências de quem quer que seja.

Mas dito isto, fica evidente que do bom senso também não se deve afastar ou meter-se em flagelada luta... (para ler o restante do artigo, clique abaixo. Para regressar de dois ou mais cliques na seta de volta do I.E)


Tenho escutado reiteradas vezes que tal e qual jornal possui determinada linha editorial para justificar muitas das vezes práticas perniciosas e manipuladoras, atingindo de morte o próprio código deontológico da profissão.

Inclusive a linha editorial serve para dar arremedo e sustentação à praticas de exploração sensacionalista.

Mas que fique claro. Existe espaço para tudo. Se determinado programa ou editor quer seguir por tais caminhos que o faça. Democracia é isto mesmo, joio e trigo sendo depurados ao longo do tempo. Filtrados sempre sobre o labor da experiência adquirida e nunca pela censura imposta.

Mas também imperioso frisar, que estes órgãos de comunicação deveriam portanto, esclarecer ao público qual a sua linha editorial, na tentativa mesmo que inglória de serem minimamente corretos com o destinatário final da informação, que deveria ser o objeto primeiro de todas as coisas. No entanto, estes transformaram-se no marido enganado, ou seja, aquele último a saber a real verdade dos fatos.

A linha editorial de um jornal ou empresa do ramo, também varia sobre maneira. O que ocorre é que esta, virou sinonimo de linha de interesses. E estes variam tal e qual folha solta ao vento.

Em política isto adquire matizes confusos e caóticos.

Os operadores da comunicação escrita, deveriam anunciar em letras garrafais logo no cabeçalho de determinado jornal por exemplo o seguinte: Somos da linha editorial governista. Outros diriam somos da linha editorial oposicionista ou somos da linha editorial anarquista e por aí vai.

Seria mais honesto e talvez déssemos fim a esta enorme brincadeira de falta de responsabilidade que assisto todos os dias.

Vejo jornalistas ditos sérios, mas comprometidos com determinados interesses, distorcer informações simples, já com vistas a novas distorções na frente, para assim construir um arcabouço que lhe renderá frutos ou permanência em situações. E tudo com a célebre frase " esta é a minha linha editorial". Que linha é esta ? Expliquem-se melhor. O que isto significa em face de um fato ? Ela é unica ou multipla ? Fixa ou imutável ? Prima pela qualidade ou sensacionalismo? Sem ofensas meus caros. É que sou por demais ignorante e gostaria de esclarecimentos por parte daqueles que tem esta obrigação de divulgar e noticiar. Quando for artigo de opinião tudo bem. Que todos dêem asas a sua imaginação, ma caso contrário...

Onde habita a isenção de informação? Não vou entrar em discussões filosóficas sobre se isto é ou não possível, dado que nunca nos afastamos de nossos juízos de valores já construídos. Mas a perseguição deve ser contumaz , sob pena de estarmos a viver o que hoje nos ocorre, qual seja, a informação servindo aos interesses e não a si mesma como fim derradeiro.

Coitado e infeliz do cidadão inculto , pois se depender dos órgãos de comunicação, sairá desinformado e servirá de massa de manobra com fins nada edificantes. Nivelamos tudo por baixo, sob o argumento que o dito "povo", nada entende. Assim, não se faz esforço algum e os péssimos profissionais da imprensa dão sorrisos e os sérios choram confusos.

É fato que em países com instituições fracas e pouco democráticas, isto se dá de maneira mais forte e abusiva. Democracias fortes e consolidadas, com sistemas mais apertados, a bandalheira ocorre, mas de forma envergonhada. A dita maior potência do mundo é foco não raras vezes de enormes e não pontuais distorções neste campo. Isto é normal e a briga faz parte do show. O que não dá para concordar é com caudilhistas de plantão e safardanas travestidos de jornalistas, enfim...

Como também não se pode afiançar em hipótese alguma, qualquer sombra ou mácula de censura sobre o meio jornalístico, sendo inclusive a reação contra isto sempre severa e dura, resta o que ?

A discussão é grandiosa, mas resta somente apelar aos bons profissionais e sociedade organizada. Cobrem melhorias e não compactuem com os desvios. Uma auto avaliação do que ocorre com a imprensa e dos rumos que queremos para nossa vida social, também se faz mister. Ainda acredito no bom senso e no bem com meta a ser atingida. Melhores mecanismos internos de auto controle necessitam ser criados. Desta forma, seremos mais responsáveis e filtraremos com mais dignidade, qualquer tentativa externa de manipulação e cerceamento.




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Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Carnaval sem plumas (minha autoria)


CARNAVAL SEM PLUMAS.


Jairinho achava que no carnaval tudo era possível. Sua idéia acerca da festa de Baco restringia-se às mulheres da televisão. Belas e sedutoras, verdadeiras gueixas da perdição, principalmente para um garoto do interior como ele.


Morava, onde a mais nova mulher talvez estivesse lá pelos seus cinquenta e poucos anos. Não que a idade seja a antítese da beleza, muito pelo contrário. Mas é que ali, justamente ali, onde Jairinho passava seus dias, a natureza não colaborou. Todas pareciam ter vindo de Marte com suas formas estanhas e estilo pitoresco.

Portanto, Carnaval para um garoto como estes, pobre, magro, sem instrução , morador de uma cidade sem novidades e atrativos e, não preciso explicar aqui o que vem a ser um atrativo numa situação destas, resumia-se aos bailes e desfiles da televisão.

Jairinho contava os dias para o início do Carnaval. Sabia muito bem decorado quais os bailes que iam passar na “caixinha mágica”. Conhecia tudo. Quais rainhas de bateria estavam mais sensuais, mais esculturais, mais e mais... e por aí seguiam suas habilidades televisivas.

Na sexta tem o baile do vermelho e preto. Antes, no pré- carnavalesco, já tinha visto o baile do diabo, no América, o do Monte Líbano . Fôlego incansável. Era baile de cá, mulher de lá, e para coroar ficava estupefato com o Gala G e seus travestis em suas falas tão inteligentes, que até ele gritava, do sofá sebento, porra! mas que bicha doida!! (Para ler o restante clique abaixo. Para retornar clique na seta do I.E ).

Era o devaneio de um mundo irreal, longínquo e brilhante. Fantasia que corria solta em meio aos hormônios descontrolados e vaporizados de um adolescente de cidade pequena. Sonhos e ilusões de fuga? Não, somente brincadeira de um folião mal ajambrado e meio desmiolado.

Junto destes devaneios ficava o Rio de Janeiro . Cidade maravilhosa e cheia de encantos mil. Naqueles dias do ano, era onde o profano vingava. A terra da perdição. Muita violência e com gente mal educada. Tudo muito rápido e sem muito valor. Pelo menos é o que dizia dona Batistinha e dona Mariana, duas beatas que freqüentavam assiduamente a igrejinha da praça. Diziam as más línguas que ambas eram apaixonadas pelo padre Teodorico. Mas isto já é outra estória. Afinal Carnaval, igreja e bacanal era tudo o que pensava o Jairinho. E será que é tudo igual?

Todos os anos era a mesma coisa. Não dava para mudar, pois sonhar era para ele, a coisa mais gostosa que se podia fazer, principalmente porque Jairinho não precisava pagar por isto. Todo o resto era anotado no livro da vida. Às vezes temos saldo, outras muito débito e na maioria do tempo vamos fazendo as coisas por graça e concessão .

A roça depois do carnaval era a outra atividade que acabou por tomar conta do adolescente. Não por vontade mais por imposição natural. Naquela cidade onde a tarefa mais importante era tomar conta da vida dos outros, ficar sem fazer nada era cair em desgraça. Vida de vagabundo não dava para sustentar, embora não faltasse vontade para isso.

A única profissão dos seus sonhos era ser vagabundo de verdade. Conhecer o grande Carnaval do centro do Rio, e se perder por aquelas bandas. Mas não tinha coragem e força. É não pense que para ser vagabundo diplomado é fácil não!! Todo mundo quer ser é o bonzinho da fita. Dá menos perturbação. Como também esta era uma palavra que nosso amigo Jairinho detestava, lá foi ele para sua triste sina de lavrador. Afinal o vô foi da roça, o pai também. Não seria justamente ele o Mandraque da fita a tirar mágica da cartola.

Vivia no campo a sonhar com a cidade das deusas que via na televisão. Mesmo depois de grande e já começando a ter cabelos brancos no peito, continuava com essa perdição. Mania de televisão! Mania de Carnaval imaginado ! Era o que dizia dona esmeralda, mãe de nosso personagem, que faleceu de desgosto do filho não ter casado. Afinal, mesmo nas cidades vizinhas de onde ele habitava, o “nível” das mulheres não era igual ao dos seus davaneios covardes. Também pareciam mulheres meio sem graça e sem sabor. Jairinho era um desses casos típicos de ser humano que devia socializar-se. Mas enveredou para outras bandas ou melhor, bundas e transformou-se num esquisitão.

Vocês devem estar a se perguntar como é que um lavrador de cidade pequena, apaixonado por carnaval de televisão, virou esquisitão . É, a pergunta é boa, mas pouco perspicaz. Nosso carnavalesco passou a procurar e medir a mulher perfeita que coubesse em seus sonhos. De tanto medir, comparar, classificar, catalogar e algumas vezes experimentar, acabou por nada encontrar. Nosso herói Macunaíma não entendeu a absoluta e peremptória impossibilidade de se competir com a imaginação. Esta sempre vence!

Quase chegou a fazer a vontade de sua finada e bem comportada mãe. A moçoira apareceu, mas o casamento não. Este arremedo de vida real teve seu início assim: Um belo dia, quando o trabalho na roça acabou, tomou como de costume a sua cachacinha no bar do Trancoso e seguiu para o Bordel da velhota. É, este era o nome do bordel e da dona, ou pelo menos assim ficou, porque se perguntasse na cidade o nome verdadeiro da Velhota, toda a gente ia responder: Uai? Velhota!

Quando por lá aterrou suas idéias, veio logo a Velhota a lhe dizer:
- Jairinho , temos uma novidade aqui na casa.
_ Velhota, não vai me dizer que trocou as camas!!! _ E pôs-se a rir.
_ Né nada disso, seu bobinho. Temos agora uma atração carnavalesca, vinda direta da cidade grande. Coisa muita fina. Não é para o bico de gente como tu não viu!!!

Foi aí que Jairinho sentiu circular pelo salão com uma desenvoltura ímpar, uma mulher que fugiu a classificação carnavalesca de nosso esquisitão de plantão. Não parecia com nenhuma espécie proveniente realmente daquela região esquecida por Deus! Seus olhos começaram a brilhar, coração a latejar e pernas a desengonçar.

Era Francineide. O nome é estranho mas a mulher não!! Morena alta, coxas grossas, cabelos longos e olhar malicioso. O andar era coisa e tal. Um remelexo que não tinha comparação. Falava bem e usava umas palavras que ele não entendia , mas adorava!! Parecia muito com outra morena que nunca tinha saído de sua cabeça. Era uma que tinha se apaixonado quando a viu em um desses bailes que tanto freqüentou, ou pelo menos pensou que sim. Estava num camarote, dando adeus e beijinhos aos tontos que ficavam babando em baixo. Ele não sabia o nome da figura em questão mais se lembrava com orgulho que ela tinha dito ao entrevistador que era modelo, manequim e artista. Ele não sabia bem o que era isso, mas devia ser algo importante, porque todas as mulheres eram modelo , manequim e artista.

Mas a intenção do casório não durou muito não. Não foi suficiente nem para iniciar o vôo. Depois de uma noite onde ele deu todo o saldo obtido no trabalho de sol a sol, a morenaça fugiu da cidade com o filho bastardo do padre Teodorico. Deu um golpe na Velhota e ninguém sabe onde foi parar. Quando a esmola é demais o santo desconfia, repetia para si de cinco em cinco minutos, o nosso herói carnavalesco moderno.

Assim correram os anos. Jairinho, tranformou-se em Jairo, Jairão e senhor Joca. No entanto, sempre assistindo, comentando e sonhando com o carnaval da telinha mágica.

Bateu as botas o esquisitão, num domingo para ser mais preciso, durante o programa do Faustão. Veio como foi. Nada entendeu, pouco viveu e muito sonhou com bundas, bundinhas e bundões.

Jairinho passou desta para melhor, sonhando sem viver, vivendo sem sentir e sentindo sem saber!! Oxalá esteja a se divertir em um Carnaval celestial, lá no Quinto dos Infernos! Aqui viveu no paraíso dos burros!!!
FIM

Todos os direitos reservados e registrados em nome de Hilton Meirelles Bernardes.


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Quarta-feira, Agosto 19, 2009

O DIA EM QUE O PT SEPULTOU A ÉTICA.


Na data de hoje, presenciamos o sepultamento do Partido dos Trabalhadores no campo onde este se dizia militar. Ética e moralidade foram jogados de lado. Passaram bem distantes e por assim dizer, dando adeus com sorriso malicioso nos cantos dos lábios, à comissão do senado da república, encarregada de julgar desvios comportamentais dos senhores senadores da nação.

Com o apoio da bancada do PT, pressionados pela atuação do presidente da República, em ato também menos nobre, pois demonstra seu único interesse nas eleições do ano vindouro, esta comissão que se diz de ética, arquivou de forma sumária as denúncias e representações contra o presidente do senado, senador José Sarney.

Tudo nesta tarde, beirou ao grotesco e lamentável. O jogo já estava ganho e as cartas já tinham sido dadas nos bastidores.

A bancada do PT, deu maioria a denominada "tropa de choque" , que defende com unhas, dentes e ameaças a permanência do coronel Sarney. Sim, a partir do dia que se inicia, esta volta ser a melhor denominação para o senhor senador. O pouco de biografia positiva que lhe competia, foi sufocada pelo seu método de ação, escorado em homens de comportamento também duvidoso, sem mencionar o caráter. Sobre este vou me calar, pois o silêncio e o tempo são senhores da razão...(para ler o restante do artigo clique abaixo, para retornar clique duas ou mais vezes na sete de volta do I.E).


A atuação do líder do Partido dos Trabalhadores, senador Aluísio Mercadante, foi desastrosa e confusa. Também um golpe na face e coração daqueles que o ouviam defender antanho, os mais nobres princípios e valores da ética e moralidade pública. Tudo isto, repito, sepultado definitivamente hoje. Digo definitivamente, pois este funeral já vem sendo feito desde há muito. O túmulo já estava aberto, variadas pás de terra já tinham sido jogadas, faltando somente o lacre final com a sessão da comissão de ética do senado.

O líder do governo, que é responsável pela coordenação política deste junto ao senado, representando em última análise as suas posições, vem a público dizer que ele pessoalmente, Aluíso Mercandante, tem posição diversa da do governo. Defende pelo menos a abertura de uma das representações contra José Sarney. Mas por outro lado, orienta e intimida sua bancada a votar segundo o governo, ou seja, pelo arquivamento das denuncias e representações. Apresenta-se volta e meia dizendo que está desconfortável nesta posição. Chega a veicular sua saída da liderança do governo. Em discurso no plenário afirmou peremptoriamente que era favorável ao afastamento(licença) do presidente do Senado para devida apuração dos fatos controversos. O que faz o líder então? Deixou o cargo de representante do governo? Não. Deixou a sua bancada livre para votar conforme a consciência? Não. O que vimos foi um líder que tentando esquivar-se da lama que respingava disto tudo, abandonou seus pares, obrigando-os a votar segundo o governo, enquanto ele mesmo, propaga aos quatro ventos que o certo não seria isto. Ora meus caros, estamos vivendo épocas incríveis. Estão esfregando na nossa cara que , quando em confronto a ética e moralidade pública, face a "politicalha" e interesses menores, os nossos representantes optam abertamente por estas últimas.

Os denominados paladinos da Justiça estão a mostrar suas verdadeiras caras e a quem realmente servem. Estes senadores do PT e o próprio partido, pois não se desvinculam um do outro, perderam sua última oportunidade cívica de passar isto tudo a limpo.

Assisti um presidente da comissão de ética, aviltado e avassalado diante das pressões. Escolhido, dirigiu tudo muito bem conforme orientação da "tropa de choque" e segundo seus interesses de não comprar briga com ninguém, custe o que custar, desrespeitando o povo brasileiro, já tão menosprezado por "suas excelências".

O nobre presidente desta casa legislativa, coronel José Sarney, escondendo-se atrás de sua pretensa biografia, desrespeita a comissão, ao povo e a quem quer mais seja, e não comparece sequer para apresentar sua defesa. Mesmo que meramente " pro forma".

Pelo menos, no meio disto tudo tivemos a demosntração de altivez do senador Artur Virgílio. Deu a cara para bater, compareceu e se defendeu de suas acusações. Estas foram feitas muito mais no sentido de calar seu ímpeto, do que efetivamente com o intuito moralizador. A " tropa de choque", jogou baixo na tentativa da intimidação. E vou mais além, nada me convence que se deram por satisfeitos em não aniquilar mais o seu adversário, pelo ridículo que estariam expostos. Seria absurdamente estarrecedor, arquivarem as denuncias contra o "coronel" e prosseguirem as do senador Artur Vírgilio. Se assim não fosse, tentariam trucidar o opositor, pois a sanha raivosa destes beira o perigo.

É fato que neste ninho de cobras, não temos santos. Mas pelo menos o senador Artur Virgílio cumpriu sua obrigação de homem público, que lá esta por ter deveres para com a nação. Não deitou no esconderijo de sua biografia e foi até o fim, travando o bom combate.

Por uma dessas coincidências da história, neste dia em que o PT sepultou definitivamente a ética de seus quadros, tivemos o anúncio da saída de suas fileiras da senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Uma das fundadoras do PT no Acre, membro deste faz 30(trinta) anos, declara sua saída e ingresso no PV(Partido Verde). Verdadeiro símbolo da luta honesta e ética neste país, desde os tempos de Chico Mendes, jogou a toalha por não suportar, talvez o que de verdade presencia. Já quando Ministra foi esvaziada. Atribui-se disputa entre a mesma e a Ministra Dilma, pupila de Lula e sua candidata assumida a Presidência da República. Enfim...

Se alguns já não tinham certeza, hoje as terão. Ao que veio afinal o PT ? E digo. A um projeto de governo que repete erros do passado, da qual eram os maiores críticos. Vorazes diga-se de passagem. Daí o espanto de quem os assiste hoje.

Que exemplo estes senadores poderão dar para a Federação. Será que terão moral e qualidade para criticar os despotismos, desmandos e achincalhes que verificamos nas câmaras de vereadores espalhadas por este país afora, por exemplo ? Certamente que a resposta é não.

Uma instituição desta magnitude(Senado Federal) teve sua crise resolvida com este procedimento de arquivamento em bloco? A resposta também é não.

Tempos incríveis estes, em que vivemos. A mensagem é clara! Muita covardia e pouca coragem. Muita "politicalha" e pouca política". Muita corporativismo e pouca ética. Nesta esteira seguimos, ainda assombrados!

Que fixemos na memória o dia em que o PT, por se aliar a "tropa de choque" sepultou definitivamente alguma dignidade que ainda lhe restava, se é que isto existia realmente, por que cá eu, tenho minhas dúvidas. Enterrou com honras tudo aquilo por que dizia lutar e pior, deu péssimo exemplo a toda uma nação. Triste fim!!




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Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Blues para alma: Howlin`Wolf -Spoonful

Como sou apreciador de blues, vou dividir com todos um pouco deste estilo musical.

Indo mais além, como os artigos anteriores adotaram um estilo mais trabalhoso de leitura, segundo opinião de alguns, alivio agora a pretensa "seriedade" neste blog. Para tanto, nada melhor que um bom som à nos fazer "balançar a caveirinha".

Bastante árdua a tarefa de selecionar qual música e cantor(a) colocar aqui, já que gosto de inúmeras. Já estava decidido que ia ser o John Lee Hooker o iniciador da saga bluseira neste espaço. Depois resolvi que ia ser Roberth Johnson. Ia contar o seu pacto com o diabo. Mas a gravação dele talvez não fosse agradar a todos. Ocorre que devo seguir a intuição e bem no badalar do último gongo, mudei de idéia. Vai para a vitrine então, o bom e velho Howlin`Wolf com "Spoonful".

Adoro este ritmo e não dá para resistir. Os pés e corpo tem vontade própria e não ficam parados. Deixemos o velho lobo uivar!!!!


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Terça-feira, Agosto 04, 2009

A Crise no Senado: Dor e Ranger de Dentes.

A Crise no Senado : Dor e Ranger de Dentes.

A crise no senado brasileiro revela a quantas anda o estado da nação. Tenho lido e acompanhado o que vem se desenrolando pelos porões desta nobre, ou pelo menos deveria assim ser, instituição governamental. Havia prometido cá com meus pensamentos tortuosos, que não iria gastar massa cinzenta em mais um episódio lamentável de nossa realidade política. Já há lamaçal em demasia a escorrer por minhas já fustigadas retinas.

No entanto, não obtive êxito nesta minha empreitada e depois de assistir a TV Senado no dia de ontem, tenho que por cá exorcizar um pouquinho que seja da minha indignação e asco.

Talvez eu seja um dos poucos brasileiros que assistam a TV do Senado, da Câmara dos deputados e da Justiça. Há louco para tudo e com certeza sou um dos que jogam neste time. Algum psicanalista de plantão talvez possa correr e já lançar seu diagnóstico preciso. Masoquismo com toda certeza. Para ver nossos nobres representantes dos três poderes atuando, certamente devo muito gostar de sofrer...

Adianto para os que não me conhecem, que não sou daqueles que lançam críticas fáceis e irascíveis. Não transformo minha liberdade de opinar em instrumento de interesses menores, vaidades ou qualquer outra frustração de comportamento ou caráter.

É bem verdade também que não podemos nos afastar do que somos ou acreditamos, sob pena de nada sermos. Mas sempre dando o melhor no caminho da ponderação mais justa possível, para não sermos cópia fiel daqueles que criticamos... (para ler o artigo na íntegra, clique abaixo. Para voltar á página principal de três cliques na seta de volta do I.E)



Vivemos em uma estrutura política bicameral ou seja, Câmara dos Deputados e Senado Federal, formando aquilo que denominados de Congresso Nacional. Tudo isto bem delimitado em um sistema de repartição de competências estabelecido em nossa carta magna de 1988.

Nosso Senado deveria ser além de câmara revisora em muitos casos, orgão onde habitasse uma classe de políticos de primeira linha. Nossos nobres senadores representam os Estados da Nação brasileira, mas tem ou deveriam, ter papel muito superior a isto. Algo que lembrasse o velho senado romano em seus tempos de glória. Certamente uma utopia diriam alguns, pois até mesmo esse, não estava livre de máculas. Ocorre que este ideal deve ser perseguido sempre, como outrora o foi, fato que por curioso, anda as avessas nos dias atuais.

A qualidade moral de nossos senadores é a pior possível, com raras exceções. A vergonha e o pudor não mais existe em nossos homens públicos. O que vale é a manutenção e exercício de seus podres egos. A nação que fique por último.

Se estas figuras foram eleitas pelo povo, deveriam guardar algum tipo de ligação com seus representados. Mas é fato que o homem de bem não sente qualquer tipo de identificação com estes personagens dantescos. Por que será ? Certamente há algo de muito podre do reino da Dinamarca, parodiando nosso Shakespeare. Muito há que considerar em tudo isto, mas vou tangenciar para não estender em demasia, somente lembrando que nosso sistema eleitoral privilegia este tipo de coisas. Uma casta de interesseiros da pior espécie, misturada com outra casta de omissos e no meio de tudo um punhado de idealistas, que logo são expurgados do meio para não atrapalhar o andamento da máquina política.

O Senado entrou em recesso, esperando que a crise que o atingiu arrefecesse. Voltou do interregno e tudo anda pior. O presidente da casa e ex-presidente do Brasil, nosso nobre imortal Jose Sarney também não renuncia ao cargo e provoca mais alvoroço. Parece que seus "Marimbondos de Fogo", andam a picar todos os senadores da república.

Desta feita, enquanto assistimos a cenas do mais baixo nível, com insultos e ameaças de uns contra os outros, disputas de poder e ego, o Brasil anda, ou melhor não anda! A casa legislativa está praticamente parada. É fato que desde há muito o nosso legislativo se avilta perante o executivo. Entretanto, na atual conjuntura nos apercebemos desta triste realidade com mais força. Será seu trabalho dispensável ?

Eu tenho certeza que a resposta para a pergunta é não. Mas é por estas e outras que já surgem nas ruas propostas de se abolir o bicameralismo e adotarmos o sistema único de representação. Os mais exagerados falam até em extinção pura e simples.

Não possuo mais ilusões de que pelo caminho do bem estes senhores vão fazer algo de produtivo. Apelar para a consciência de quem não a tem é "chover no molhado". Não podemos ensinar física quântica à um primitivo. Também não podemos apelar para ética, respeito, moralidade e urbanidade no trato interpessoal e da nação à defeituosos de caráter. É tarefa que se mostrou impossível, infelizmente. Estes não aprendem pela inteligência. Terão que sentir o caminho da dor.

Que este podres homens se degladiem, sob a luneta aguçada da imprensa e mostrem suas verdadeiras facetas ao público. Muitos se machucarão e outros tantos levarão bordoadas ao vento, mas somente assim teremos esperança de um futuro melhor.

Não sou daqueles que propalam que a imprensa é a causadora da crise. Certamente ela a alimenta, com interesses também, muitas das vezes, inconfessáveis. Mas dos males o menor.

Por derradeiro, é importante considerar, como bem frisou o Senador Cristovão Buarque que o presidente José Sarney, deve ser tratado nesta crise como político e não como ex-presidente da República Federativa do Brasil. Vou mais além. Não adianta portanto, ficar a relembrar fatos históricos passados, a tentar corroborar sua faceta de grande estadista. Poderia assim ser, se o referido político permanecesse nesse status e não viesse pleitear uma vaga no senado. Mas já que aceitou as regras do jogo e despiu-se deste patamar, deve satisfações ao país, na condição atual de senador que é. Não mais de um vulto histórico que quer ser. Deveria ter se despido das praticas coronelistas já tão entranhadas em sua carne e se portado como figura irretocável. Algo como conselheiro da nação, como todo ex-presidente deveria ser, embora eu moderasse nas temperas da modernidade seus lembretes, se político fosse. Mas o atavismo falou mais forte e lá está nosso Sarney nas barbas do poder novamente. Sendo assim, deve prestar contas ao senado e a nação, afastando-se para que as denúncias contra si sejam devidamente apuradas, sem esfera de influência nenhuma emanada de si.

Seu afastamento não é a solução do problema. É gesto somente simbólico e apaziguador. O Senado brasileiro necessita de profundas correições administrativas bem como estruturais. E o mais importante de tudo. As práticas consideradas "normais", devem ser abolidas. O regimento interno deve ser cumprido a risca, sem privilégio algum , dando espaço para senadores do denominado baixo clero serem mais ativos. Se juntarmos a isto uma reforma eleitoral profunda, a dar espaço verdairo a renovações, talvez tenhamos esperança para o país. Caso contrário, somente a dor e o ranger de dentes ... E que Deus nos ajude!














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Quarta-feira, Julho 29, 2009

A PALAVRA ESCRITA : BREVE ANÁLISE .





A palavra escrita : Breve análise.

O poder da palavra é algo que vem sendo melhor estudado nos dias atuais. A neurolinguistica avança neste campo, que se intercala com aspectos cerebrais, onde a fala é ativada. Enfim, o tema é bastante cativante e complexo . Sua menção se faz necessário, como uma espécie de paralelo a nos fazer pensar no reverso da moeda e como intróito ao que vamos tratar aqui.

A palavra transmitida oralmente sempre foi por onde, desde os mais antigos, a cultura humana se desenvolveu. Antes do advento da imprensa escrita, poucos eram os registros feitos em matéria física. Poucos também os que sabiam e conheciam as letras. Donde podemos afirmar, sem medo de errar, que áqueles que dominavam a arte de ler e escrever, eram detentores de poder, aí entendido como forma de domínio de um ser sobre o outro.

A ampulheta do tempo continuou a funcionar e Gutemberg nos brindou com uma nova era para a humanidade (Para ler o restante clique abaixo. Para regressar a página principal dê dois ou três cliques na seta de regresso do I.E)


A disseminação da palavra escrita, foi responsável por transformações radicais em nosso contexto existencial. Mas a pergunta que fica e não quer calar é: Até que ponto também nos tornamos reféns daquilo que está escrito ? Ainda não tenho no meu íntimo uma resposta .

Me parece que vivemos um dogmatização da escrita e uma sacralização do ato de escrever. O foco ou nó primordial não está certamente no ato em si, de materializar um pensamento ou idéia, muito pelo contrário, como já reafirmado, isto é benéfico. Mas sim no juizo de valor que o ser humano acaba por fazer disto, dogmatizando a escrita como poucas vezes visto.

Será que vale a frase, se não está publicado nada vale. A propósito me lembro de um pensador(acho que é o Steiner, fundador da Antroposofia) quando mencionou uma píada onde um acadêmico de nossos dias, destes muito sabidos, disse referindo-se a Jesus : Foi um grande professor, mas não publicou nada…

Tendemos a acreditar e não questionar nada que nos digam que é científico e foi publicado. Quantas verdades já publicadas cairam por terra e quantas outras vão ainda desmoronar. Esta inclinação de aprisionamento da escrita deve ser revista. Reverência sim, subserviência não.

Isto se reflete ainda mais na literatura artística, onde existem muitos mitos e estereótipos sobre o escritor e sua arte de escrever. Taís rótulos inibem os mais tímidos de sequer tentar iniciar. Escrever é tentativa e erro. Além disto julgamentos sobre o que é ou não bom deve ser relativizado. Dogmatizar formas em demasia prejudica a criatividade. Esquecer por completo gera comunicação ineficiente e saber rasteiro. Portanto, como dizia Buda “ a virtude está no caminho do meio” .
Imperioso mencionar também que a internet vem revolucionando tudo isto. Neste emaranhado eletrônico, vemos de tudo. Caminhamos do excelente ao péssimo em um clicar de dedos.

Mais e mais indivíduos atrevem-se a escrever, desmistificando o ato em si. Isto a meu ver, tem me parecido muito bom. Afastadas as porcarias e exercícios de egos frustrados, que infelizmente ainda são muitas, vemos que talentos natos se revelam no mundo virtual e muitos conhecimentos são disponibilizados, sem a sacralização deste exercício de comunicação.

Os tempos andam um tanto conturbados é certo. Tenho muitas perguntas, poucas respostas e algumas sensações. A definição à tudo isto somente o mestre da razão, o senhor tempo, é que nos dará.

Desta feita, para o bem ou para o mal, sigamos arriscando, escrevendo e rabiscando cada vez mais.


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Quinta-feira, Julho 23, 2009

O VERDADEIRO FILÓSOFO DO DIREITO

Por dever de formação me vejo forçado a publicar este vídeo. Conceituar o que é o Direito foi e continua sendo uma das tarefas mais interessantes e controversas. É o Direito uma ciência ? Uma arte ? Ou será uma técnica ? Ou as 3(três) hipóteses juntas. Muito se tem gasto de papel nesta conceituação. No entanto, pelas ruas encontramos o verdadeiro filósofo, que com sua notável perspicácia resumiu o que tantos notáveis não conseguiram fazer... Talvez Kant e seus discípulos pudessem frequentar um cursinho com este senhor. Desta feita, como não só de assuntos sérios vive este blog, deleitem-se meus caros!!


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Sábado, Julho 18, 2009

LISBON REVISITED (1923) - FERNANDO PESSOA


Ao lado Fernando Pessoa em flagrante delitro.


Como dizem os poetas, trago hoje em minh'alma contentamento para poucos. Deixo registrado neste espaço um dos poemas de Fernando Pessoa que mais gosto. Não perguntem o porque. Aliás o próprio texto disto trata. Não quero saber motivos e razões de coisa alguma. Senhores da verdade, guardem suas "preciosidades" inúteis para si. Não me alongo, pois o poema é mais sublime do que qualquer palavra por mim escrita ou pensada. Registro agora, para os preguiçosos, apenas duas das estrofes do referido. Para ler na integra, e para isto aconselho deixarem a letargia de lado, cliquem abaixo. Para retornar à página principal deste blog, dêem dois ou três cliques na seta de volta do I.E. Vamos ao que interessa :
.....

Não me tragam estéticas !
Não me falem em moral !
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências !)
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos ?

Se têm a verdade guardem-a !
.........

Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência !
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo !
Para que haveremos de ir juntos!


Poema na íntegra:



Não: não quero ser nada
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões !
A única conclusão é morrer .

Não me tragam estéticas !
Não me falem em moral !
Tirem-me daqui a metafísica !
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)
Das ciências, das artes, da civilização moderna !


Que mal fiz eu aos deuses todos ?

Se têm a verdade, guardem-a !

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo direito a sê-lo.
Com todo direito a sê-lo, ouviram ?

Não me macem, por amor de Deus !

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável ?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer cousa ?

Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência !
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo !
Para que haveremos de ir juntos ?

Não me peguem no braço !
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou só sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia !

Ó céu azul- o mesmo da minha infância -
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo.
Pequena verdade onde o céu se reflecte !
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje !
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.


Deixem-me em paz ! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o silêncio quero estar sozinho !





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Sexta-feira, Julho 10, 2009

O QUE REALMENTE CHEIRA MAL ?


O QUE REALMENTE CHEIRA MAL ?


Acendi o meu cachimbo e comecei a dar as baforadas de costume. Estou a testar um novo fumo que comprei, tipo Inglês. É razoável. Não fumo cigarros, somente cachimbo, cigarrilhas e charutos vez ou outra. Principalmente quando bebo um bom vinho. Acho que esta bom não é mesmo ? Em épocas de pessoas tão certinhas onde é muito bonito e saudável não se entregar aos prazeres do bugre, faço o contrário. Talvez meu lado primitivo e indígena anda fique a tocar tambores por entre minhas entranhas. Talvez eu seja um irresponsável ou quem sabe um doidivanas qualquer.

Sei que o tabaco virou o grande vilão de tudo. Estudos científicos são incontestáveis não é mesmo. Será? O Estado a regular nossas vidas também é incontestável não é mesmo. Será ?

O grande pai diz o que é certo ou errado e quanto mais se mete, mais confusão cria. Ele simplesmente quer o nosso bem. Será ?

Não sou adepto de ser escravo de nada, menos ainda de qualquer vício. Por isto como todo e bom cínico, digo que não tenho um. Comando o meu fumo. Não importuno ninguém pois não o exercito em lugares públicos ou fechados. Somente no sacrossanto recinto do meu lar ou em alguns outros poucos lugares onde me permitem fazê-lo. Respeito os saudáveis, assim como eles respeitam aos fumantes. Será? ...(Para ler o restante clique abaixo. Para regressar de dois ou três cliques na seta de volta do I.E)


Algures, entre uma baforada e outra surgem estes escritos que a muitos vão incomodar. Afinal de contas é tudo para o bem maior! Mas, para que não fique nada nebuloso como a fumaça do meu cachimbo, adianto que não estou aqui à defender comportamentos. Sei do meu e para mim isto basta.

No entanto, devagar meus amigos! Devagar que o santo é de fumaça!! Sei que o tabaco tem seus contras. Mais daí a outras atitudes, paranóia coletiva e imposições forçadas vai uma grande diferença. Não me apetece alongar esta pendenga, pois é inútil. Não quero tecer paralelos ou avançar em conceitos de Estado, este ente abstrato tal falado, que trabalha muito e educa maravilhosamente. Será? Sendo assim, ele tem o direito de se meter na vida privada de cada um. Nós aceitamos de bom grado o grande pai não é mesmo ? A discussão é longa e pesada, mas quero ficar leve como a fumaça que exalo.

Por entre esta inveterada vilã, agora mais espessa, penso no que escrever. Tinha umas idéias prontas e que acreditava serem importantes.

Iria soltar o verbo e achincalhar com estes podres homens do senado brasileiro, que não se cansam de nos brindar com suas canalhices.

Inteligência e faro para o que é fétido lhes sobra. Robalheiras, escândalos, apadrinhamentos, desvio do dinheiro público e nesta esteira continua.

Pensei também em escrever sobre a falácia do nosso sistema político. O voto do jeito que está nada muda. Vota-se em um elege-se outro. Iria falar sobre o sistema representativo, quosciente eleitoral , falta de participação dos menores em mecanismos de controle e essas coisas inúteis não é mesmo. Será? Mas confesso. Hoje estou de saco cheio desses nobres homens!!

Mas meus caros, o que realmente cheira mal ? A fumaça do meu cachimbo ou a inebriante podridão, forte e continua, que exala do nosso digno Congresso Nacional , da nossa vetusta justiça ou do nosso executivo cambaleante ??





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Quinta-feira, Julho 02, 2009

Mulher nua, mulher armada ?




Recebi esta foto pela internet hoje, com uma frase atribuída à Victor Marie Hugo(1802-1885), célebre escritor francês, onde é dito " A mulher nua é uma mulher armada ".

Certamente isto chocará àqueles "politicamente corretos", que insistem em patrulhar nossas mentes, transformando existências mundanas em algo terrivelmente chato. Com sua prática reducionista, vão dar uma interpretação machista e reacionária ao texto, inibindo maiores discussões. No entanto eu vou para outras sendas, pois gosto de viajar pelos caminhos da minha insaciável loucura. A propósito, em oportunidade futura, discutirei a minha visão sobre o "politicamente correto", tão em voga nos tempos modernos, onde as armas de controle sobre o indivíduo são, certamente, mais sofisticas e talvez cruéis... Aguardem.

A frase em questão, como que por encanto, transportou-me a pensar no imenso pode da mulher e na sedução existente nestas criaturas maravilhosas , intrigantes, inteligentes e sem a qual, nós homens, não saberíamos viver.

Realmente Victor Hugo tem razão. Uma mulher totalmente vestida já é um perigo. Imagina então se estiver nua. Transforma-se em arma de calibre potente e consegue o que quiser de nós. Só me causa certa confusão a palavrinha "arma". Esta não pode e não deve ser entendida com o sentido de violência que se liga ao termo, pois fazemos ligação de imediato às armas de fogo ou brancas . Neste campo, a conotação é outra.(Para ler o restante, clique abaixo. Para voltar de dois cliques na seta do I.E)


A mulher nua aqui é armada de poder quase absoluto. Um doce e inebriante poder de beleza, aliado a artimanha da sedução, que todas possuem. Mesmo que não exercitem, tem em estado embrionário dentro de si, pronto para explodir no momento certo.

Nós homens, não apresentamos defesa e muito menos "armas" que façam frente a este ataque, quando estamos expostos a ele. O pior, muitas vezes nem tomamos conhecimento desta tática natural e quando damos por si, já estamos combalidos. Atingidos por "arma"mortal, ficamos a deriva.

A beleza feminina ultrapassa o simples aspecto do corpo. Já é natural e intrínseco. É uma energia que exala, junto com uma inteligência e perspicácia que são únicos.

Não vou adentrar em discussões filosóficas sobre o que é beleza e como esta se manisfesta. Vou ficar com a afirmativa já batida, porém verdadeira de que "a beleza está nos olhos de quem vê".

Pobre coitado do homem. Já esta completamente aturdido com tantos tiros de inteligência, sensibilidade, perspicácia, capacidade de trabalho e tudo o mais disparados pelas mulheres. Se elas resolvem ainda nos seduzir com a beleza de seus corpos e a sensualidade de sua alma, não teremos chance alguma. Seremos seus!!!! E que doce entrega esta hein!!! Viva as mulheres !






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Segunda-feira, Junho 29, 2009

A REALIDADE (PEQUENA ABORDAGEM)


Se eu estiver iludido, que venha a desilusão...

O que me carrega para estas searas no dia de hoje é um tema bastante subjetivo, mas que certamente deve ser enfrentado por todos, no sentido de um viver melhor, livre de falsas expectativas. Vou falar sobre o que vem a ser realidade e sua relação com a ilusão. Faces da mesma moeda, se complementam. Não há como vislumbrar o fortalecimento de uma, sem a vivência da outra.

Muitas vezes, e não raro, me deparo com afirmativas de que a realidade é dura e que devemos encarar isto de frente. Dizem estes, portanto, que a vida é "dura" pois o real sempre é implacável. Qualquer sombra de leveza em nossas vidas é puro acaso. Fruto apenas de conjunções aleatórias que em um determinado momento resolveram nos favorecer. Desta feita, como devemos viver dentro das regras e não das exceções, temos que nos conformar com a realidade dos fatos. E esta sempre é rígida, justamente para nos fazer fortes.

Respeito, como é evidente, a forma de acreditar destes indivíduos, mas não posso absolutamente concordar e muito menos carregar para minha breve existência ,dentro deste caldeirão humano que constitui a vida, esta maneira de se p0rtar e movimentar.

Estou procurando não enfileirar junto destes, pois me parece que em assim sendo, fazemos opção pela infelicidade instituída e dureza no sentir. E isto sim, é que me parece constituir o verdadeiro Maya dos Hindús. A grande capa de ilusão que nos cerca, sem que tenhamos consciência disto.(Clique abaixo para ler o restante. Clique duas vezes na seta de volta do I.E para retornar)


Dentro do meu singelo entendimento, sem falsa modéstia alguma, me parece que a vida real está aí para que a vejamos de frente. São exatamente nossas ilusões, construídas unicamente por nós, que nos desviam disto.

Somos muito ignorantes em nosso mundo interior. Temos muitos "deverias", que são a porta de entrada para nossas decepções. A vida deveria ser assim, fulano de tal deveria se comportar assado, o tempo deveria estar desta ou daquela maneira, eu deveria ser gordo, deveria ser magro, deveria ser inteligente, deveria haver mais compaixão , deveria haver menos injustiça, deveria ter menos celulite, deveria ser mais gentil e nesta esteira os "deverias" são infinitos.

Talvez esteja sendo um pouco duro, mas tenho que dizer. O mundo está cheio de situações e pessoas que jamais, repito, jamais, vão se adaptar ao que você acha ou deixa de achar. Muitos canalhas vão continuar sendo canalhas e o pior, dormem com a consciência tranquila, feito anjinhos. A corrupção ainda é uma praga, pessoas vão tentar te medir pela régua delas(cabe a nós não aceitarmos estas medidas) e o rol vai por ai, beirando ao infinito.

A realidade esta aí para ser aceita e não para ser constestada. Não quero dizer com isto que ela não possa ser modificada para melhor. É claro que sim. Mas para isto, temos o imperativo de primeiro aceitar o que de fato já esta a existir e acontecer. As ilusões, construídas por tantos deverias, nos tiram desta aceitação fundamental. Vivemos entorpecidos por elas, longe da aceitação e com isto nos infligimos a dor permanente, sem o sabermos.

Quando por uma ou outra razão, "caimos do cavalo" e a desilusão bate a nossa porta, ficamos tristes e revoltados. Deste estado de espírito para o queixume da vida e sua dura realidade, vai um pequeno pulo apenas.

Portanto, quando somos empurrados da ilusão e ficamos "desiludidos", é que nos deparamos, pela primeira vez, com a realidade que sempre esteve ali, bem na nossa frente. Como não a aceitamos de fato, dizemos que ela é ruim, dura e sem sentido algum. Não percebemos que o que é ruim é a ilusão. É justamente por isto, que quando o discípulo se queixa ao mestre de ter sofrido uma grande desilusão na vida, este lhe responde: Meus parabéns, agora você esta no caminho certo.

A realidade não é boa nem ruim, simplesmente é. O que a transforma desta ou daquela maneira nossa forma de ver, que pode estar mais ou menos obstruída por este verme da ilusão. Esta sim, nos tira o poder verdadeiro.

Se queremos mudar esta realidade, pois é claro que temos nossas preferências, devemos aceitar primeiro e depois atuar sobre a mesma. Mas atuar com responsabilidade, sabendo em que tipo de batalhas estamos a nos meter. Quais as reais possibilidades existentes e certamente pagarmos os preços de nossas escolhas.

Agindo assim, encontramos novos estímulos e alimento de alma e começamos a ver que aquilo que aparentemente era ruim, quando aceita, fica menos ruim e quando investido de nossas energias pode ser inclusive modificado.

Abandonemos nossas ilusões. Assim a realidade fica mais suave e vemos que a vida não é tão dura quanto parece.

Encerro aqui, estes breves comentários, sabendo que o tema não é pacífico e que muitos tem visões diversas. Respeito todas, como não poderia ser diferente, mas também como não quero ser medido com a régua dos outros, por enquanto permaneço com a minha, pois é o melhor que posso fazer. Se eu estiver iludido, que venha a desilusão...








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Sexta-feira, Junho 26, 2009

Morte e vida de Michael Jackson




MORTE E VIDA DE MICHAEL JACKSON

O assunto que empurra o meu cérebro à elaborar estas mal traçadas palavras é a morte do ídolo pop Michael Jackson.
Certamente eu não era um daqueles que o veneravam como fã e muito menos como alguém que fosse capaz de tocar minha alma de alguma forma.
Também nunca fui ou fiz parte do time de especuladores de plantão, que viviam no lodaçal dos mexericos em torno da vida pessoal deste símbolo de nossos tempos.

Mais do que sua morte, capítulo final de uma existência a qual todos nós estamos inevitavelmente fadados, sua vida é que merece alguma reflexão. Vamos então a elas, seguindo na seara da responsabilidade e respeito por um artista e antes de tudo, ser humano, que agora habita outras paragens no universo.(Para ler o restante, clique abaixo. Para voltar à principal clique duas vezes na seta de volta do I.E)


Tudo me leva a crer que Michael Jackson foi vítima em última análise dele mesmo. Sim, não podemos culpar o sistema isoladamente. Todos nós neste mundão de Deus temos responsabilidades por aquilo que fazemos e mais ainda por aquilo que acreditamos. Somos o que pensamos ser e assim transformamos nossas realidades. Assim já dizia " Ulpiano" na antiga Roma.

Podemos inclusive notar, e isto qualquer observador mediano o faz, que o sucesso verdadeiro deste ídolo pop, somente se manteve, enquanto ele ainda guardava alguma fidelidade aos elementos mais intrínsecos de sua alma e ao que ele verdadeiramente tinha dentro de si.

A partir do momento em que abandonou este caminho individual, e esta é a sua única e verdadeira responsabilidade, tornou-se presa da engrenagem da qual se meteu.

Lidar com a fama, sucesso, dinheiro e talento de sobra, exige cabeça boa e espírito no lugar. Nada disto é condenável, muito pelo contrário. Não vou cair no discurso dos medíocres que para justificar sua condição, renegam estes valores. Dinheiro em abundância é muito bom, sucesso verdadeiro melhor ainda (e isto não tem nada a ver com os quinze minutos de fama a que muitos passam uma existência inteira a lutar), pois é fruto de nosso talento e desenvolvimento de habilidades.

No entanto, para manter isto tudo em níveis saudáveis é necessário um mundo interior desenvolvido. Bancar as conquistas implica, inclusive, desagradar aos que nesta condição nos colocaram. Dizer muitos nãos me parece imperioso. Caso contrário, o que vemos é o vazio e sofrimento.

Noutro pórtico, me arrisco dizer, sem conhecimento de causa mais aprofundado, que todo artista que aterrisa no topo mais alto do sucesso, acaba em nome do público, compromisso de agenda, contratos milionários, manutenção de uma imagem falsa de si mesmo, falsidades desenvolvidas sobre o manto de verdades incontestáveis e por aí vai, a largar o carinho e respeito que seu eu interior merecem. Sobre o pretexto de agradar a todos desagradam a quem mais importa, a si mesmos.

Desta feita, voltamos ao dito acima, somente com a coragem dos verdadeiros combatentes do bem, cabeça no lugar e espírito em riste é que alguém pode sair vivo da sanha predadora dos abutres que passam a nos rodear quando estamos em total evidência positiva.

Querem estes vendedores de ilusões, fazer crer que não se é mais dono de si, pois pertencemos ao público que nos idolatra.

Nada mais falso! Antes de tudo somos humanos. A grande armadilha é esta meus caros! O artista vem sempre e totalmente depois do homem. Esta qualidade maravilhosa somente dá o ar de sua graça quando somos fiéis ao mundo da qual saímos. Não sendo desta forma o artista morre. Sem a alegria e fiel a vagabundagem de sua alma, sim meus caros, a alma é vagabunda e errante, tudo esmorece .

O tema é fascinante e sem dificuldade alguma também polêmico. Mas como também sou uma alma vagabunda, tenho que obedecer aos seus ditames, que agora me dizem para parar de escrever. Como diz a música: " stop in the name of love".
Mas antes do fim, fica aqui meu respeito a este ser humano e ídolo do pop, pois de uma forma ou de outra, como todo aquele que tenta, ele travou o bom combate !




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Segunda-feira, Setembro 17, 2007

A política e nossa alma.



A política e nossa alma.



Nestes últimos tempos, tenho parado para pensar na política brasileira e seus personagens por um ângulo diverso.
Todos nós, brasileiros e habitantes da terra de Pindorama, temos sido brindados com espetáculos dantescos os mais variados. Não vale a pena rememorar todos, mesmo porque, com a frequência com que chegam as minhas ricas porém desiludidas retinas, já perdi o número desta conta trágica.
A cara de pau virou instituição oficial e pasmem meus amigos inadivertidos, parece que também uma sina da qual escapar também indica dificuldade pitoresca.(Para ler o restante, clique abaixo.Para voltar à principal,dois cliques na seta de volta do I.E)

Posso analisar aqui as causas de tudo isto. Adentrar em problemas sociológicos e históricos os mais diversos. Mas furto-me desta tarefa. Explicação temos para tudo. Vivemos na era da teoria enlatada. Nossos intelectuais parecem anestesiados pelo torpor de um mundo confuso, ou quem sabe petrificados pela sua ausência de alma.
Alma, sim meus caros, alma. Palavrinha curta que diz muito. Sem a pretensão dos religiosos em tentar definir a mesma, chego ao ponto central, ao núcleo duro como dizem outros, deste pequeno artigo.
Simplesmente entendamos alma como aquela chama que mora no íntimo de cada um de nós. A essência de nossas vidas. Embora deixemos sempre de lado, ela continua lá. Corremos para o mundo exterior mas fica a pergunta. E eu nisto tudo?
Depois do caso do nosso "Ilustríssimo" senador da República Federativa do Brasil Renan Calheiros" senti um sensação estranha no ar. O cheiro desagradável que estes homens públicos do Brasil exalam ameaçou derrubar minhas mais nobres e edificantes esperanças.
Ocorre que sou difícil de quebrar. Não rendo minha alma para estes pobres homens ricos ou para estas públicas negociatas privadas. Somos mais que isto! Sigamos em frente mantendo nossa verdade e prolatando aos quatro ventos que nosso sistema está podre e fétido. Afinal de contas, como dizia o poeta " porque tanta educação para destilar terceiras intenções ..."


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Quarta-feira, Maio 17, 2006

UMA ANÁLISE CRÍTICA DO EXERCÍCIO DO DIREITO


UMA ANÁLISE CRÍTICA DO EXERCÍCIO DO DIREITO.

Vou adentrar em uma seara tormentosa para alguns e completamente desconhecida para outros. Até mesmo por aqueles que deveriam primar seu exercício profissional com base em conceitos a seguir expostos.

De início temos que considerar que o direito não se confunde de forma alguma com a lei. Esta identificação tem sido muito perniciosa e certamente serve a interesses menos nobres e edificantes.

Esta sinergia entre direito e lei remonta aos positivistas do século XIX, bem como a escolas de hermenêutica jurídicas já superadas, onde a primazia da interpretação literal dos diplomas legais vigorava com largueza.

Para os seus defensores, todos os fatos e acontecimentos podem ser tipificados pela lei. Esta seria a única fonte do direito. A norma legal seria a premissa maior e a enunciação do fato a premissa menor. Já a decisão contida na sentença, seria a conclusão deste processo lógico.(clique em ler o restanto do artigo para concluir a leitura)

Isto talvez se justificasse em tempos remotos, onde o conhecimento ainda não tinha avançado o suficiente, bem como a sociedade trabalhava com parâmetros mais sólidos e concretos. O contexto daquele tempo era quase maniqueísta. As instituições gozavam ainda de prestígio, em que pese críticas sempre merecedoras, mas que escapam a este singelo artigo. Trabalhando sempre coma noção de certo e errado, viviam nossos antepassados em um cenário social bem mais lento. O direito sempre veio a reboque das transformações sociais, daí porque a lei nunca traduzir o real anseio de seus súditos. No entanto dado a velocidade das transformações ser mais reduzida, o descompasso entre a lei e a transformação social também era menor.

Atualmente vivemos na era da internacionalização, onde os avanços tecnológicos encurtam distâncias e culturas. Para o bem ou para o mal e deixando ao largo uma visão mais ácida de toda esta conjuntura, isto por si só, impossibilita que permaneçamos com esta visão antiquada e equivocada do direito como sinônimo de lei. Lamentavelmente também seguida por muitos operadores do direito, que deveriam ser os primeiros a vislumbrar tais considerações.

Ocorre que para explicitarmos a contento este assunto, mister se faria que viajassemos pelos meandros da filosofia do direito e conceitos de hermenêutica jurídica.

Impossível, portanto, em tal situação analisar em profundidade algo que foi objeto de inúmeros compêndios ao longo da história.

Embora isto seja fato, também é fato que podemos e devemos esclarecer alguns pequenos pontos, inclusive para que o exercício do direito se faça em clima mais competente e com visão mais alargada.

O direito não tem como única fonte a lei, como querem fazer crer os positivistas e como inconscientemente trabalham a maioria de nosso operadores jurídicos, entre eles advogados, juízes e promotores.

É por assim pensarem que muitos juizes se escondem atrás desta falácia e dizem: Ora eu sou um escravo da lei, nada posso fazer...

Ninguém deve ser escravo de nada, muito menos o julgador. Uma interpretação sistemática da lei, vista em todo o seu conjunto é o melhor caminho. Já aí uma infinidade de caminhos possíveis , dado que para uma mesma norma, várias correntes interpretativas as vezes se formam, dando maior margem da manobra ao bom aplicador do direito.

Onde fica a atividade interpretativa de nossos magistrados? Certamente é preferível termos leis sofríveis e bons intérpretes, do que excelentes leis e péssimos interpretes, pois dissociados da realidade em que vivem.

Mesmo quando impossível através destes procedimentos, chegarmos a bom êxito, temos a jurisprudência, a analogia, os costumes e os princípios gerais, que também são fontes do direito, inclusive consagradas em nossa legislação.

É certo e sabido que a lei apresenta lacunas, daí porque o próprio legislador indica formas de sanar tais situações. O art. 4º da LICC é claro ao dispor que o juiz pode se utilizar da analogia, costumes e dos princípios gerais do direito. O art. 5º do mesmo diploma legal, que serve de base para todas as áreas do direito, preceitua que se deve levar em conta os fins sociais e o bem comum, quando da aplicação da lei. Tudo isto sem esquecer da equidade, forma de decidir baseada no justo, também admitida em nosso ordenamento. Sempre como certo, utilizados de forma supletiva e nunca substitutiva da lei, para não corremos o risco de transformarmos também o juiz numa espécie de legislador, onde ele passaria ser o próprio Estado, algo inadmissível nos dias de hoje.

O fato é que a lei apresenta lacunas, mas o Direito certamente não. Tangenciando as discussões acerca de fendas também neste campo, o certo é que quando este deve descer ao seu grau maior, qual seja, o momento da aplicação, não pode apresentar lacunas.

Para que se entenda melhor isto, necessário se faz irmos a outros pórticos, tal como conceitos acerca do que vem a ser direito, direito positivo, natural, objetivo e subjetivo, não sendo convenientes neste singelo artigo.

O que pretendo aqui é simplesmente alertar aos homens e mulheres comuns, quando do seu legítimo exercício da cidadania, bem como aos operadores da ciência tecno-jurídica, que devemos ir muito além de uma análise eminentemente fechada e positivista. Devemos ousar na busca da concretização de um melhor direito.

Os advogados devem ser mais criativos e ousados ao postular, bem como mais reservados e prudentes ao aceitar suas causas. Já os magistrados devem ser também criativos e também ousados, mas tendo em mira sempre o bem da coletividade e a finalidade social de sua atuação. Estes profissionais não são meros agentes do Estado investidos na função jurisdicional. Podem ser verdadeiros elementos transformadores, principalmente em um país tão repleto de desigualdades como o nosso Brasil.

Desta feita, imperioso ampliar nossas visões e ter em mente que: o Direito é muito maior que a lei ; que legalidade e legitimidade não se confundem, pois algo pode ser legal mas ilegítimo, bem como legítimo mas ilegal ; que Direito e moral não se confundem. Este muita das vezes vai beber na fonte da moral,, mas a moral não bebe na fonte do Direito.

Assim procedendo certamente iremos estar mais perto daquilo ao qual denominamos JUSTIÇA!

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Terça-feira, Maio 16, 2006

A CRISE BRASIL-BOLÍVIA



CRISE BRASIL-BOLÍVIA


Imperioso abordar a atual crise existente entre países da América Latina, que constantemente afirmam querer uma união entre povos ditos “irmãos”.

O Senhor Evo Morales, líder e sindicalista indígeno, alçado a condição de presidente da Bolívia, em atitude unilateral, “nacionalizou” a exploração de gás naquele país vizinho.

A partir deste ato muito se desenrolou, e uma sucessão de equívocos ocorreram na gestão da política externa brasileira, que necessitam e devem ser comentados aqui. Ficará ao menos registrado, neste blog, a perplexidade de um brasileiro que em última análise é o destinatário final dos desacertos praticados por Lula e seus comandados. Ou será que são eles que comandam o senhor presidente? Isto não importa agora, certamente. O fato é que nesta simbiose mal sucedida, observamos atônitos a timidez de uma política externa que possuía todas as condições de evoluir a passos mais largos, mas preferiu esconder-se na concha da mediocridade, senão vejamos:

De início, devemos ressaltar, com todo o respeito que a Bolívia merece, que a forma como a “nacionalização” ocorreu, foi particularmente exagerada e agressiva ao Brasil.(clique em "ler restante do artigo")

Foi feita após uma visita do presidente Evo Morales ao nosso país, onde este afirmou que os contratos com a Petrobrás seriam respeitados, dando a entender sim, que os referidos seriam renegociados, mas sem agressividade, dando a entender também que seriam respeitados os laços e interesses que uniriam Brasil e Bolívia no projeto de integração de nações na América do Sul.

Como óbvio, não foi isto que ocorreu. Sem aviso prévio ao Governo Brasileiro, o líder indigenista da Bolívia, que tem o PIB semelhante ao do Município de Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro, ocupou militarmente as instalações da unidade da Petrobrás naquele país e dali anunciou suas “magníficas” medidas nacionalizadoras, permeadas de atitudes popularescas e campanhas abundantes na televisão Boliviana.

Sim caros leitores, ele não escolheu ao acaso. Porque na unidade da Petrobrás e não da Repsol (empresa espanhola que também atua na exploração do gás), por exemplo? Fica a pergunta no ar...

O senhor Evo Morales, líder indigenista que parece não entender ainda ser hoje presidente de um país, também em declarações a imprensa foi ao mínimo deselegante e rude com o governo brasileiro. Chegou a afirmar que a Petrobrás, empresa símbolo do Brasil, tão defendida por nós em vários momentos da nossa história, praticava chantagem e espionagem na Bolívia. E foi mais além, afirmou que os contratos praticados por nossa empresa pública eram leoninos, prejudicando desta forma ao povo boliviano.

Nesta esteira de atitudes em prol do povo boliviano, que certamente a mais longo prazo será o maior prejudicado nisto tudo, afirmou o presidente da Bolívia estar agindo com o legítimo direito da soberania. Um país soberano e independente como o referido tem o direito de agir como bem entender na defesa de seus interesses, segundo o presidente Morales. Isto é fato, não se discute, dado que o princípio da soberania é consagrado no Direito Internacional. Esquece-se no entanto nosso “irmanito” que no mundo moderno não se vive isolado. Esquece-se das regras do capitalismo, onde os contratos devem ser cumpridos e tem regras a serem observados na renegociação, sob pena de instalarmos a insegurança jurídica e como efeito provocarmos a fuga ladeira abaixo de investimentos. Também esquece nosso “mui amigo” presidente Boliviano que o princípio da soberania dos povos tem sofrido enorme flexibilização, dado a necessidade de integração regional e comercial dos países em bloco. Assim se formou a União Européia. Preservar a soberania e integrar-se ao mesmo tempo em bloco foi, e ainda é, um dos grandes desafios da internacionalização da economia. Constituições de países tem sido flexibilizadas, no sentido de se privilegiar o direito internacional em contraposição ao direito interno. Se existe a soberania boliviana, também existe a brasileira. Se nosso “irmanito” quer realmente preservar os interesses da união Latino Americana e do Mercosul, deveria ter agido com mais sabedoria e não como um cavalo com antolhos que sai atropelando tudo pela frente, em nome de sua dita soberania .

Para aqueles que afirmam que o presidente boliviano simplesmente cumpriu suas promessas de campanha, devo dizer que Morales foi muito além delas, dado que a forma como a nacionalização foi e vem sendo feita, ter superado negativamente as regras da boa convivência entre países vizinhos.

Aliado a isto tudo, temos a interferência nefasta do senhor Hugo Chavez, presidente da Venezuela, que certamente é o gestor destas enormes trapalhadas que estão a ocorrer na América do Sul. Este é um assunto que merecia um outro artigo, mas sucintamente vejamos o seguinte:

A Venezuela, por intermédio de seu representante maior cedeu técnicos e assessorou o presidente boliviano neste malbaratado processo de nacionalização do gás. Foi rude, descortês e grosseira ao se intrometer nas eleições peruanas, chegando ao cúmulo de proferir palavras ofensivas ao candidato Alan Garcia. Isto porque, defende Chavez o candidato da oposição, outro nacionalista desvairado e irresponsável, o senhor Homala. Para tanto Chavez gera uma crise diplomática que culmina com a retirada dos embaixadores de ambos os países. Age como senhor de um continente, esquecendo as mais comezinhas regras de respeito.

Sem sentido algum, participa de reuniões onde sua presença é totalmente dispensável e fora de contexto. Porque chamar o Presidente Hugo Chavez a reunir-se com Morales e o presidente da Argentina e Brasil, quando a crise do Gás dizia somente respeito a estes últimos? Fica nova pergunta no ar. Dizer que isto tem a ver com o megalomaníaco projeto de integração energética da América Latina, onde um supergasoduto sairia da Venezuela, atravessando todo o continente é uma verdadeira sandice. A obra em si já o é, dado que ficaríamos totalmente dependentes deste país. Sem contar os entraves técnicos, financeiros e ambientais desta loucura, defendida por nosso presidente Lula e comparada a obra da Muralha da China por ele. Já não chega a lição da Bolívia? Será que seremos iguais a “mulher de malandro”, que gosta de apanhar?

O senhor chavez tem atitudes popularescas e discursos antigos contra o imperialismo Americano, mas não no sentido de resolver realmente os problemas da América do Sul. Não se esqueçam que ele critica mas exporta para os Estados Unidos quase 80% do seu Petróleo, única moeda forte que a Venezuela parece ter. O que ele tem é um projeto pessoal de liderança do continente e que certamente nos trará anos de atraso. Mas parece que somente o nosso querido presidente Lula não enxerga isto. É “irmanito” para cá, “irmanito” para lá e cada vez mais nos prejudicamos com as atitudes também do senhor Lula da Silva, que mais parece um dirigente partidário, ideologicamente comprometido, do que o presidente de uma nação com o porte do Brasil.

Qual a atitude do Brasil diante do cenário que se desenrola na América do Sul?

A posição da diplomacia brasileira, diante da crise com a Bolívia, foi extremamente tímida e inadequada para um país com a importância natural, política e econômica do Brasil.

Foram quebrados contratos de forma unilateral. A Bolívia afirmou categoricamente que iria reajustar os preços do gás, desprezando todas as regras existentes, a forma da nacionalização foi agressiva, as declarações do presidente boliviano correram ao largo das etiquetas diplomáticas que deveriam ter ocorrido e neste esteira segue a lista de medidas popularescas, também voltadas para um público interno boliviano despreparado e com as eleições parlamentares a beira da porta.

O que disse nosso presidente Lula? Que temos que entender a pobreza na Bolívia. Que a atitude foi justa, dado que nos limites da soberania boliviana. Que o Brasil na poderia ser mais agressivo com um país miserável e irmão com a Bolívia que simplesmente quer melhorar a vida de seus pobres.

Presidente Lula, o senhor dirige o Brasil ou a Bolívia?

E a soberania Brasileira onde fica? E os pobres e miseráveis brasileiros que merecem a sua proteção onde ficam? E os depauperados do nordeste brasileiro quem os protegerá?

Será que existirá algum tipo de indenização para a Petrobrás, que investiu milhões de dólares naquele país? É fato que a Bolívia não tem tal condição e já fala inclusive em auditoria para verificar impostos atrasados. É certo que o senhor Morales quer macular a imagem e seriedade de nossos interesses naquele país, com vistas a não proceder corretamente ao ressarcimento do que lá foi investido e agora pertence ao governo Boliviano. Já se fala em compensação com gás e por aí seguem nossos “irmanitos”.

O presidente da Petrobrás chegou a afirmar peremptoriamente que iria cancelar todos os investimentos da empresa naquele país e senhor em atitude irresponsável afirmou, quando da reunião com os presidentes, que estes estavam garantidos e iriam continuar, dando azo para Morales fazer bravata interna.

Ninguém defende uma atitude militar como o senhor chegou a afirmar em um de seus discursos retóricos, feitos para seus admiradores de plantão.

Não existe a tal da liderança natural do Brasil. Liderança se conquista e exerce senhor presidente Lula.

Era necessário uma posição mais firme do governo brasileiro, demonstrando seu descontentamento e preocupação com os rumos que a América Latina vem tomando.

O Brasil parece tímido e medroso, não parecendo saber o seu verdadeiro papel na região.

Uma atitude forte não quer dizer que estamos negando qualquer tipo de negociação, muito pelo contrário. É regra sabível e preferível que se entre forte em negociações internacionais, para depois se fazer concessões e não ao contrário, dizendo ao nosso oponente que ele tem razão em tudo o que quer.

Agir com firmeza também não inviabiliza ou põe em cheque o Mercosul como quis afirmar alguns ditos “entendidos”. Para estes não parece existir o caminho do meio. Ou se aniquila a Bolívia e o projeto de integração ou fica-se inerte, esperando qual o próximo disparate de nosso vizinho.

Integração regional e econômica implica respeito de todos os lados envolvidos. Firmeza e altivez jamais foi sinônimo de arrogância. Temos que por cada coisa em seu devido lugar.

Será que temos vergonha de sermos maiores e mais ricos que a Bolívia ? Será que nosso complexo de inferioridade nos impossibilita de sermos lideres, pois identificamos liderança com atitudes imperialistas. Tudo fruto de velhas ideologias que ainda carregamos em nossas almas?

O presidente do Brasil não pode confundir suas ideologias pessoais com a sua posição de governante do maior país da América Latina. Não se esta a governar o PT, mas sim uma nação.

Se realmente se quer salvar a tal integração regional, que se haja com maior firmeza na defesa também de seus interesses. Uma atitude não inviabiliza a outra, muito pelo contrário.

Nenhum de nossos vizinhos levantou a voz para a defesa dos interesse brasileiros. Se nós mesmos não fizermos isto, estaremos abrindo precedente perigoso em data futura.

Somos amigos, queremos negociar, não somos imperialistas e muito menos superiores. Respeitamos muito nosso vizinhos por isto queremos salvar ainda o Mercosul. Mas também não somos inferiores e sabemos de nossas diferenças econômicas, sociais e políticas.Temos que agir com firmeza nas nossas manifestações diplomáticas, pois não serão com atitudes popularescas que este continente rumará para a frente. Se assim continuar teremos um retrocesso. Morales, Chavez e Lula passarão, mais as nações continuarão.

Esperemos que a luz se faça em nossos governantes e estes possam agir como estadistas e reais defensores de nosso interesses internos e externos, sob pena inclusive de perdermos nossa posição na América Latina, onde inclusive, lideres europeus já querem colocar o Chile, como líder e modelo a ser seguido. Talvez devêssemos refletir sobre isto.










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Terça-feira, Março 14, 2006

Foto do Eça de Queiroz


Aqui segue a foto do grande escritor Eça de Queiroz, para aqueles que não imaginam como foi a figura de um dos grandes mestres do Realismo literário.

Leiam o artigo abaixo, intitulado Eça de Queiroz - O Conde D'Abranhos. Paralelo interessante do livro em questão com os tempos atuais vividos, infelizmente, por todos nós.
Verdadeira novela satírica, publicada após a morte do escritor, retrata de forma fiel a quantas anda a moralidade de nossos homens públicos...
Que modifiquemos este quadro!!!!!

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Terça-feira, Março 07, 2006

Conto "Vida que segue..." de Hilton Meirelles Bernardes

VIDA QUE SEGUE...

Autor: Hilton Meirelles Bernardes


Naquela tarde chuvosa, em pleno centro da cidade do Rio de Janeiro, guarda-chuvas chocavam-se uns aos outros. Todos andavam em estado de agitação profunda, não por causa da atmosfera turbulenta, mas sim pelo stress peculiar e já inerente aos moradores de um grande centro.Dizem que os cariocas não gostam de chuva e muito menos de tempo nublado. Talvez seja verdade, mas o fato incontestável é que existia pelo menos um, dentre estes, que adorava tudo isto.Seu estado interior era o próprio relâmpago.(clique em ler o restante do artigo).

Sua alma era o trovão e sua vida sendo fúria, fustigava seu peito e mente de novos conceitos perturbadores.Seguia por entre o beco do ouvidor, procurando uma marquise para se abrigar e rindo do que acabara de pensar.Conforme seus passos iam apertando, sua mente, cada minuto mais ágil, ia lhe distanciando dos bares, livrarias, cartórios e lojinhas de conveniência. A batalha começava novamente, sem aviso prévio para iniciar e sem data definida para terminar.As lições absorvidas desde a tenra idade, onde nada parecia contraditar o que seus pais diziam, vinham a lume .As regras e preceitos religiosos faziam sua aparição sem a menor cerimônia. Adentravam o recinto mental como quem entra para uma grande ceia sem ser convidado.Qual a fronteira entre o bem e o mal, entre o certo e o incerto, entre o puro e o impuro, entre a evolução e a involução?Tais perguntas são inócuas pensava ele. Somente os tolos procuram tais respostas. Na emoção reside a razão e se assim o é, viva-se apenas, sem nada de resposta ou inquirição.Percorreu mais alguns passos, desviou-se de alguns transeuntes que não dominam a arte de andar de guarda-chuvas e, contra tudo e todos , perturbam os que da marquise se socorrem do tempo ruim. Retrucou em voz alta ignorando que estava em um lugar público:_Mas que inferno! Das minhas antigas crenças eu não sei mais nada... Das novas que tentam me empurrar goela abaixo, nada aceito e jamais aceitarei.Neste momento o vazio se instalou e o clima de guerra que se apresentava sem constrangimento, com soldados e generais a se defrontarem lado a lado, piorou. Sua mente entrava em colapso geral. O real e o imaginário lutavam por um espaço sem que seu fiel depositário tivesse qualquer preocupação em traçar, mesmo que tênue, qualquer linha de fronteira entre ambos.Na verdade tudo se fundia em uma coisa só. Um homem atormentado por conceitos, idéias e formas, das quais não se sentia proprietário de nenhuma delas.Sua vida não estava de acordo com os padrões traçados. Expectativas lineares, quase matemáticas, em algum momento se perderam. Parecia que faltava algum elemento na equação que lhe foi vendida.Uma grande armadilha foi urdida cuidadosamente. Minuciosamente planejada e posta em prática. Sentia-se a própria caça, acuada e indefesa diante de seu predador natural.Noutro pórtico, nosso homem em sua celeuma mental, sabia por experiência própria todas as respostas aos velhos questionamentos.Encarar a verdade sempre é mais doloroso do que buscar fuga nos labirintos da mente, criados única e exclusivamente para dar a fresca ilusão de que estamos perseguindo verdades e encontrando dificuldades.Justificar o injustificável, prever o imprevisível e dominar o indomável.Sempre foi mais seguro viver entre seus labirintos imaginários, entre as dúvidas criadas e o amor inventado, praticando o conformismo barato e covarde, ao invés de seguir inteiramente pelo presente, encarando as gotas de chuva que sobre seus ombros caiam e a felicidade que vai além do horizonte dos sentidos.Martins estava agora diante de si novamente.Lembrou-se da lenda de Robert Johnson, que tanto admirava. Famoso cantor de blues que dizem as boas e más línguas, fez um pacto com o diabo. Estava na encruzilhada da vida. Na bifurcação de uma estrada e, querendo o sucesso à qualquer custo, vendeu sua alma ao capeta. O sucesso veio logo, mas com ele e a vida desregrada, também sobreveio a morte.Nosso amofinado vende sua consciência ao dito cujo, ou segue o caminho contrário, porém mais difícil? Toda a escolha tem seu preço. O que e quanto quer ele pagar?Ética, honestidade, respeito e vida em sociedade. Nosso homem sabia muito bem qual o caminho da virtude e de um mundo melhor. As dúvidas e guerras eram puro pretexto para uma existência livre de culpas.Finalmente , ao estar bem próximo do fim do Beco do Ouvidor, onde não mais existia marquise para proteção da chuva que insistia em cair sem perdão, um clarão se fez presente e, na tormenta do campo de batalha, a guerra foi vencida.As dúvidas se dissiparam e as verdades não mais ocultadas por máscaras ou fantasias, sorriam simplesmente sem nada cobrar.Um grande alívio apoderou-se dele, sua vida estava lhe pertencendo novamente. Ele era apenas ele, somente ele, e nada mais que ele.Neste exato momento, na tentativa de furtar-se de algumas gotas, alguém esbarra violentamente no nosso causídico e levantando o olhar grita:_ Martins! Você por aqui!_ Assustado, volta-se para seu velho quadro mental. Velhas máscaras acenam ruidosamente. Comportamentos padrões voltam alegres._ É , estou indo ao fórum, preciso resolver alguns assuntos do escritório._ Coincidência! acabo de sair de lá! _ respondeu o outro. _ Fui fazer uma audiência, com o Freire, aquele que acredita que o Estado é ele. É o Luiz XIV do judiciário... _Deu uma risadinha pensando em ser gentil com o colega._ Quase sem energia para emitir e balbuciar as palavras, Martins moveu a boca num gesto automático._ Ah! meu caro, estou sem tempo para conversas. Tenho que correr, pois preciso praticar uma ilegitimidade com aparência de legalidade, dessas que conhecemos bem! _ Um sorriso irônico, porém triste, surgiu no canto da boca e continuou _ São os “ossos do ofício”, sabe como é! Afinal de contas, a “justiça” carece de ser feita. Dura lex sed lex. _ Ajeitou sua gravata e terno, acendeu seu cigarro, deu um tapinha no ombro do amigo e pôs-se à andar._ Seguiu assim, mais um dia na vida de Martins... Seguiu a “vida” de Martins...
Obs: Todos os direitos de reprodução total ou parcial estão devidamente reservados ao autor.

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O Conde D'Abranhos-Eça de Queiroz

Vendo o noticiário dos jornais impressos e televisivos narrando as proezas e peripécias de nossos políticos, fui remetido de imediato para um livro memorável de um não menos importante escritor portuguës. O nosso Eça de Queiroz.. Digo nosso, por já sentir-me íntimo do modo sarcástico e inteligente com o qual retrata os fatos da vida.
Expressão das mais relevantes da corrente literária denominada Realismo, que anda intimamente ligada ao Naturalismo, descreveu como ninguém a realidade social portuguesa, a mediocridade e hipocrisia humana nas suas mais inumeráveis vertentes.
Perfeitamente aplicável ao nosso tempo e país, O Conde D'Abranhos é uma crítica sagaz ao político medíocre, sem talento algum, mas com um dom que parecer pulular nos homens públicos atuais. O jogo de interesses menor e pusilânime. A bajulação irritante e rasteira, mas principalmente a covardia no campo das idéias.(Para ler o restante, clique abaixo. Para voltar à principal,dois cliques na seta de volta do I.E)

Esta foi uma obra póstuma, ou seja, publicada após a morte do grande escritor. Foi concluida em vida mas pelo que sei não chegou a ser totalmente revista pelo ilustre autor.
Um de seus originais foi encontrado pelo filho de outro renomado escritor português, Ramalho Ortigão, também falecido, me parece no ano de 1924.
Por incrível que parece o escrito ficou guardado por muitos anos, pois Ramalho Ortigão acreditava que a novela humorística O Conde D'Abranhos era um pouco carregada para época. O personagem principal não retratava fielmente a regra dos políticos daquele momento, mas precisamente século XIX. Era, isto sim, uma exceção...
Bons tempos aqueles onde a bajulação, hipocrisia, covardia, falta de talento e pudor eram exceções no cenário político.
Hoje, infelizmente parece ser a regra. Vertiginosamente vemos a qualidade moral, intelectual e humana de nossos ditos "homens públicos", cair... cair... cair...
O âmbiente político nacional exala um cheiro asqueroso. Cadáver em putrefação, não reflete nem sombra da verdadeira vida que corre debaixo dos olhos de uma meia duzia de mal feitores que se dizem nossos representantes.
Verdadeira horda de mal intencionados, tomam de assalto o Estado brasileiro. O pior é que nem eles em sua ignorância se dão conta do que estão efetivamente a fazer ou melhor deixar de fazer.
Temos que mudar a legislação e efetivar uma reforma verdadeira neste cenário para propiciar que o homem de bem, que crê e acredita num mundo melhor e mais positivo, possa atuar de forma eficiente e não como acontece agora. Atualmente,os bem intencionados são engolidos por um sistema viciado e velho. Lutam para se manter dignos. Ficam mais tempo a guerrear por valores que já deveriam estar incorporados desde a muito em nossos hábitos e não tem energia de sobra para botar a "mão na massa" de verdade.
Noutro pórtico, não podemos e não devemos cair no pessimismo e desalento. Ficar somente a se queixar não resolve muita coisa.
Devemos por começar a acreditar que o bem existe e que toda transformação é possível de ser feita.
Neste linha, comecemos por nós mesmos. Sigamos em frente para nos tornarmos mais inteligentes, espertos e com consciência crítica. Utilizemos nossas emoções e nesta esteira, sigamos sempre em frente.
Acreditar que tudo é mal também é negar o bem que existe já em nós. E se ele existe em nós isoladamente, pode subsistir em sociedade. Certamente a apatia deve ser um sentimento que não devamos cultivar.
Que os inúmeros " Condes D'Abranhos" que parecem povoar nossa política sejam sempre combatidos por nós com galhardia . Eles tem o dom da mediocridade e como tal, aparentam uma força que não tem.


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